Na última terça-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou uma ordem executiva que estabelece um mecanismo voluntário para a avaliação de novos modelos de inteligência artificial (IA) pelo governo federal antes de seu lançamento ao público.
A iniciativa visa reforçar a segurança nacional e a proteção cibernética, considerando os potenciais perigos associados aos sistemas de IA mais sofisticados. Essa ação representa uma mudança significativa em relação à postura de desregulamentação que predominou no início de sua administração.
A nova estrutura solicita que as empresas de tecnologia compartilhem seus modelos de IA com o governo, permitindo uma revisão voluntária até 30 dias antes do lançamento ao público. A Casa Branca enfatiza que esse processo auxiliará na identificação de ameaças à segurança nacional, especialmente no âmbito da cibersegurança.
Revisão voluntária, não obrigatória
- A nova ordem executiva não exige revisão obrigatória para as empresas que desenvolvem modelos de IA, ao contrário das propostas anteriores;
- A pressão por um processo mais rigoroso veio de apoiadores fervorosos do movimento Make America Great Again (MAGA), enquanto aliados da indústria tecnológica defendiam um ambiente com menos restrições;
- A nova abordagem distingue-se do posicionamento inicial do presidente sobre a regulação da tecnologia;
- Uma das primeiras ações de Trump’s ao assumir foi revogar uma ordem executiva anterior do governo Biden que estabelecia diretrizes para o desenvolvimento seguro da IA.
Governo Trump tinha acordos prévios com grandes empresas
No mês passado, a administração Trump firmou parcerias com gigantes como Microsoft, Google DeepMind, e xAI, visando a revisão antecipada de novos modelos.
Cabe ressaltar que o Centro para Padrões e Inovação em IA (CAISI), vinculado ao Departamento de Comércio dos EUA, já mantinha acordos semelhantes com empresas como OpenAI e Anthropic. Recentemente, o governo federal decidiu remover informações sobre os acordos com Microsoft, Google DeepMind e xAI de seu site, sem esclarecer os motivos dessa decisão.
A administração argumenta que esse compartilhamento de informações é uma prática padrão essencial para a segurança nacional. No entanto, defensores da liberdade de expressão alertam sobre os riscos da intervenção governamental excessiva, que pode resultar em censura.
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Preocupações com modelos avançados
A implementação dessas novas diretrizes ocorre em meio a crescentes preocupações sobre os riscos associados aos modelos modernos de IA. O sistema conhecido como Claude Mythos, desenvolvido pela Anthropic, gerou alertas entre especialistas em segurança cibernética devido à sua capacidade avançada de explorar vulnerabilidades em softwares amplamente utilizados.
A ordem executiva determina que tanto a Agência Nacional de Segurança (NSA), quanto o Departamento de Defesa, colaborem na definição dos modelos de IA que necessitarão ser analisados pelo governo. O papel central na identificação das vulnerabilidades ficará a cargo do Departamento do Tesouro.
A administração também foi instruída a aumentar a contratação de profissionais especializados em cibersegurança e IA, além de reforçar as proteções em infraestruturas críticas como hospitais e instituições financeiras.
No mês de dezembro passado, Trump havia assinado outra ordem executiva focada em IA, buscando evitar que estados adotassem regulações independentes sobre essa tecnologia. Essa medida resultou na criação de uma força-tarefa federal, destinada a contestar legislações estaduais concernentes à IA.
