Gigantes da tecnologia podem ocultar dívidas relacionadas à IA, aponta S&P

Gigantes da tecnologia global podem estar ocultando dívidas associadas à inteligência artificial (IA) que ultrapassam os dados revelados até o momento. O alerta vem da S&P Global, uma agência de classificação de risco que enfrenta desafios para rastrear algumas das transações financeiras utilizadas para financiar a expansão da infraestrutura de IA.

Conforme reportado pela Reuters, Mark Habib, executivo responsável por infraestrutura digital na S&P, destacou que estruturas financeiras complexas podem encobrir parte das responsabilidades financeiras das grandes empresas do setor. Embora essa situação gere preocupação, a agência não considera necessário, até o momento, alterar as notas de crédito dessas corporações. “É razoável supor que existem mais dívidas ocultas do que estamos cientes”, comentou Habib durante um painel em Londres, na Inglaterra.

O executivo mencionou operações financeiras interconectadas, onde grandes empresas de tecnologia financiam a construção de centros de dados ou oferecem suporte financeiro a startups de IA.

Esses arranjos podem dificultar a identificação da real titularidade dos riscos financeiros. Habib explicou que, quando uma operação não é divulgada ou não passa pela análise de risco da S&P, a agência pode ficar sem visibilidade sobre as obrigações envolvidas.

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Investimentos em IA podem superar R$ 37,8 trilhões

  • A magnitude dos investimentos justifica as preocupações levantadas. A S&P projeta que seis grandes corporações americanas — Amazon, Microsoft, Alphabet, Oracle, Meta e SpaceX — investirão mais de US$ 7 trilhões (aproximadamente R$ 37,8 trilhões) em centros de dados e outras iniciativas ligadas à IA entre 2025 e 2030;
  • A previsão também sugere que essas empresas manterão fluxo de caixa livre negativo pelo menos até o próximo ano. Esse indicador representa o capital disponível após investimentos e despesas operacionais e sua diminuição pode restringir a capacidade para financiar novos projetos;
  • Um dos principais riscos para as avaliações de crédito dessas empresas é a chance de que os lucros esperados com a IA não se concretizem;
  • No entanto, a S&P ainda não possui uma estimativa precisa sobre o volume adicional de dívidas que esses acordos financeiros interligados poderiam trazer aos balanços das empresas. Habib informou que a agência está trabalhando para avaliar o total dessas operações e compreender melhor a exposição financeira do setor.

Oracle já teve classificação de crédito rebaixada

Em julho, a S&P reduziu a classificação de crédito da Oracle para BBB-, o nível mais baixo dentro da categoria considerada grau de investimento. Essa decisão foi tomada em função das preocupações relacionadas aos gastos da empresa com IA e à incerteza sobre como esses investimentos poderão ser convertidos em lucro.

A agência também foi indagada sobre a recente queda no valor dos títulos ligados à expansão da infraestrutura de IA. Esse movimento suscitou questionamentos sobre se os investidores veem esses ativos como mais arriscados do que indicam as atuais classificações de crédito.

Habib afirmou que atualmente não há uma discrepância significativa que justifique alterações nas classificações. Segundo ele, as avaliações realizadas pela agência consideram uma perspectiva voltada ao longo prazo.

Entretanto, esse panorama pode mudar caso os investimentos se mostrem insustentáveis. Fatores como novos aumentos nos gastos das empresas dedicadas à IA e uma concorrência excessiva poderiam agravar os riscos associados.

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