O mel considerado o melhor do planeta a apenas 300 km de Porto Alegre

Os entusiastas da gastronomia de alto nível frequentemente associam o conceito de terroir a vinhos europeus ou azeites do Mediterrâneo. Contudo, uma verdadeira preciosidade da culinária mundial tem suas origens mais próximas do que se imagina: no sul de Santa Catarina, especificamente na região de Araranguá e no planalto catarinense, é produzido um mel que se destaca nas exportações brasileiras e já foi considerado o melhor do mundo em diversas competições internacionais.

O que distingue o mel catarinense?

Conforme informações da Epagri, Santa Catarina emergiu como o principal exportador de mel no Brasil, resultado de uma combinação única entre preservação ambiental e a expertise técnica dos apicultores locais. A inexistência de grandes áreas dedicadas à monocultura assegura um néctar livre de contaminantes químicos, proporcionando notas sensoriais genuínas que variam com as floradas sazonais — uma característica que atrai chefs e compradores da Europa e Ásia.

O mel que quebra tradições

A cidade de Araranguá obteve destaque no Apimondia — o maior congresso mundial sobre apicultura — ao conquistar prêmios com seu Mel de Melato da Bracatinga, um mel denso e escuro que desafia as normas convencionais de cor e aroma. Avaliado com base em rigorosos critérios relacionados ao sabor, densidade e pureza química, este produto catarinense já se torna concorrente do renomado mel de Manuka oriundo da Nova Zelândia.

Qual é a essência do Melato da Bracatinga?

Diferentemente dos méis tradicionais, este mel não é derivado do néctar das flores; ele provém de um líquido açucarado gerado pela cochonilha, um minúsculo inseto que habita os troncos das árvores Bracatinga. Esse fenômeno ocorre exclusivamente em altitudes elevadas sob condições climáticas específicas, resultando em um produto riquíssimo em minerais e com propriedades antioxidantes que superam as dos méis florais. Entre suas características estão:

  • Riqueza mineral: apresenta alta concentração de ferro, potássio e magnésio.
  • Baixo índice glicêmico: é metabolizado lentamente, sendo preferido por atletas.
  • Poder bactericida: utilizado na medicina popular para auxiliar na cicatrização.
  • Exclusividade: a produção depende de um ciclo natural que ocorre a cada dois anos.

Este mel possui Indicação Geográfica certificada pelo INPI, um selo que assegura a autenticidade do terroir catarinense e protege seu valor comercial.

É recomendável visitar a rota do mel?

Diversas propriedades familiares abriram suas portas para o turismo rural, permitindo que visitantes conheçam a rotina dos apiários e entendam a relevância das abelhas na preservação ambiental. O roteiro não só combina as belezas das praias catarinenses com os sabores dos produtos coloniais serranos, mas também oferece experiências como degustações de méis de diferentes safras, harmonizações com queijos artesanais locais e workshops sobre os benefícios terapêuticos das diversas variedades.

O mel catarinense demonstra como a dedicação à terra e o respeito pelos ciclos naturais podem resultar em produtos de qualidade internacional bem perto de casa. Ter acesso a um dos melhores alimentos do planeta, produzido a poucos quilômetros de distância, é uma oportunidade valiosa que merece ser apreciada em cada colherada.

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O post sobre o mel premiado como o melhor do mundo localizado a 300 km de Porto Alegre foi publicado originalmente em Olhar Digital.