Quase 50% dos estudantes brasileiros utilizam inteligência artificial como ferramenta de aprendizado

“Utilizo inteligência artificial para…

Essa é uma afirmação que, antes mesmo de ser completada, pode provocar reações diversas. Enquanto alguns demonstram ceticismo, outros se mostram bastante animados.

A introdução dessa tecnologia gera incertezas. Isso ocorre tanto pela preocupação com suas implicações no mercado de trabalho quanto pela dúvida quanto à precisão dos resultados que ela oferece em resposta a solicitações.

No que diz respeito ao impacto no emprego, estamos vivenciando uma transformação contínua que ainda é difícil de mensurar e prever para o futuro. Já em relação à confiabilidade das informações geradas, a verificação final da veracidade recai sobre os humanos.

Se você já está inserido no mercado laboral há algum tempo, especialmente durante o acelerado desenvolvimento das IAs, é provável que tenha precisado se adaptar conforme sua área de atuação.

Assim como na revolução digital, uma nova geração já está emergindo neste contexto transformador.

Nesta terça-feira (8), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou o Pisa 2025. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes é realizado a cada três anos e tem como objetivo avaliar o conhecimento dos alunos em leitura, matemática e ciências.

Os dados revelam que quase 50% dos estudantes brasileiros com 15 anos utilizam chatbots de IA, como o ChatGPT, para complementar seus estudos ao menos uma vez por semana. Esta foi a primeira vez que essa informação foi coletada pelo Pisa.

No Brasil, essa taxa alcançou 48%, enquanto a média da OCDE foi de 46%.

  • Quando se trata de realizar pesquisas iniciais sobre novos assuntos, 40% dos alunos brasileiros utilizam essa tecnologia, em comparação com 31% na média da OCDE.
  • Além disso, 31% dos estudantes brasileiros empregam chatbots para resumir textos necessários para leitura, enquanto a média da OCDE é de 30%.
  • Para redigir rascunhos de trabalhos escolares, os números são de 27% no Brasil e 29% na OCDE.
  • Por fim, apenas 11% dos alunos brasileiros afirmaram nunca ou raramente usar chatbots nas atividades escolares analisadas, contra uma média de 14% na OCDE.

Observação da OCDE

A utilização diária de inteligência artificial nos estudos pode estar ligada a um desempenho inferior nas avaliações. Os dados indicam que alunos de 15 anos que fazem uso constante de chatbots para certas tarefas escolares tendem a registrar notas menores do que seus colegas que utilizam menos essa tecnologia.

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Bullying e cyberbullying

No ano de 2025, 17% dos alunos brasileiros reportaram ter sido vítimas de alguma forma de bullying com frequência mensal ou maior. Este percentual está abaixo da média da OCDE, que é de 20%. No Brasil, a ocorrência desse tipo de violência não apresentou mudanças significativas entre as edições do PISA em 2022 e 2025. Entretanto, no mesmo intervalo, houve um aumento desse problema na maioria dos países participantes.

A incidência do cyberbullying é menor do que as demais formas de bullying. No Brasil, apenas 3% dos estudantes relataram que informações prejudiciais foram divulgadas sobre eles online sem autorização pelo menos algumas vezes no último ano antes da aplicação do PISA. Esse índice é igual à média da OCDE, também situada em 3%.

Smartphone e distrações

No Brasil, os alunos informaram dedicar em média 1,3 hora por dia utilizando dispositivos digitais na escola para fins educacionais, um número inferior à média da OCDE que é de 1,7 hora. Simultaneamente, uma parte significativa do tempo gasto com esses dispositivos durante o período escolar é voltada ao entretenimento: os estudantes brasileiros passam em média 1 hora por dia usando dispositivos digitais na escola para atividades não educacionais, enquanto na OCDE esse tempo médio é de 1,1 hora.

A distração causada pela tecnologia também se reflete nos dados coletados. No Brasil, 25% dos alunos afirmaram que seus colegas frequentemente se dispersam com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de ciências, comparado a uma média de 28% entre os países da OCDE. Entre os membros da organização, estudantes que relatam esse tipo de distração obtêm em média 11 pontos a menos nas avaliações científicas; no Brasil essa diferença chega a impressionantes 19 pontos.

A proibição do uso de celulares nas instituições educacionais também ganhou força nos últimos anos. Em 2025, 81% dos alunos brasileiros estavam matriculados em escolas onde o uso desses aparelhos era vetado nas dependências escolares, um número consideravelmente superior à média da OCDE que era de apenas 49%. Em 2022, essa proporção era bem menor: 37% no Brasil e apenas 34% na média da OCDE, evidenciando um crescimento significativo nas restrições nesse período.

A OCDE também aponta uma correlação entre essas políticas proíbem celulares e as distrações: alunos em instituições onde celulares são proibidos têm cerca de 13% menos chance de relatar distrações devido a dispositivos digitais, conforme indicado pela média entre os países analisados.

Brasil apresenta desempenho abaixo da média em ciências, matemática e leitura

Desempenho em ciências

No Brasil,48% dos alunos alcançaram pelo menos o nível 2 em proficiência científica, enquanto a média global da OCDE atinge os 74%. Nesse nível mínimo esperado, os alunos conseguem identificar explicações corretas para fenômenos científicos conhecidos e julgar se uma conclusão é válida com base nos dados apresentados em situações simples.

A diferença se torna ainda mais evidente entre os melhores desempenhos. Apenas 1% dos estudantes brasileiros chegou aos níveis mais altos (5 ou 6) em ciências, contra uma taxa de 7% registrada na média da OCDE. Aqueles nesse patamar elevado demonstram capacidade criativa e independente ao aplicar seus conhecimentos científicos em diferentes contextos até mesmo desconhecidos por eles.

Desempenho em matemática

No campo matemático,28% dos alunos brasileiros atingiram pelo menos o nível básico (nível 2) , valor significativamente inferior aos 65% observados na média da OCDE. Neste nível básico esperado, os estudantes são capazes de interpretar problemas simples e representar matematicamente situações cotidianas como comparar distâncias ou fazer conversões monetárias.

Pouquíssimos estudantes brasileiros alcançaram os níveis superiores (5 ou 6) em matemática, enquanto isso representa uma taxa média global equivalente a apenas8%. Nos níveis mais avançados requeridos para esse patamar elevado , os alunos devem ser capazes modelar situações complexas matematicamente e avaliar estratégias diversas para resolver problemas apresentados.

Desempenho em leitura

No quesito leitura,49% dos alunos brasileiros atingiram pelo menos o nível básico (nível dois), comparado aos expressivos69 % registrados pela média global da OCDE. Neste patamar mínimo esperado , eles conseguem identificar ideias principais dentro textos medianos , localizar informações com critérios explícitos e refletir sobre propósitos textuais quando orientados adequadamente .

Dentre os estudantes com melhor desempenho ,só1 %dos jovens brasileiros alcançou o nível cinco ou superior na leitura ,contrastando com6 %na média global observada pelaOCDE . Esses jovens conseguem compreender textos longos , lidar com conceitos abstratos ou sutis além distinguir fatos e opiniões baseando-se nas pistas implícitas presentes no conteúdo ou origem das informações .

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