No dia 4 de agosto de 2026, o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita finalizou a aquisição da EA por US$ 55 bilhões, estabelecendo um novo recorde para LBO (Leveraged Buyout) na história. Antes disso, em março do mesmo ano, o fundo já havia desembolsado US$ 6 bilhões pela Moonton, responsável pelo popular jogo MLBB. Durante o período entre essas duas transações, o setor de jogos mobile registrou uma queda de 12% nos downloads e uma redução de 2% na receita proveniente dos jogadores. É notável que um valor tão elevado tenha sido pago em um mercado que estava encolhendo rapidamente, mesmo com dados divergentes disponíveis.
O panorama do mercado em 2026
Um estudo realizado pela Drake Star revela números impressionantes para o ano de 2026. No primeiro trimestre, foram contabilizados 51 transações de fusões e aquisições, totalizando mais de US$ 100 bilhões em valor anunciado. O setor mobile liderou esse movimento, com destaque para a significativa negociação entre Paramount e Warner Bros. Discovery – que inclui a Warner Bros. Games – além da compra pela Savvy Games da Moonton por US$ 6 bilhões.
Outras aquisições relevantes incluem a Loom Games, avaliada em mais de US$ 1 bilhão, comprada pela Scopely, e a JustPlay, adquirida pela NCSOFT por US$ 202 milhões. Destacam-se também a Bluetile Games, que passou para as mãos da Nazara; a Mattel que adquiriu uma participação na NetEase através da Mattel163; e a Haveli que comprou a Budge Studios.
Além das compras corporativas, os investimentos privados também mostraram resultados expressivos: no primeiro trimestre foram realizados 106 financiamentos totalizando US$ 785 milhões. Destacam-se os seguintes negócios:
- RayNeo por US$ 143 milhões.
- Xreal por US$ 100 milhões.
- VITURE por US$ 100 milhões.
- Ares Interactive por US$ 70 milhões.
- VAST por US$ 50 milhões.
- ZBD por US$ 40 milhões.
Resultados do segundo trimestre de 2026
O segundo trimestre do ano também apresentou resultados positivos, conforme relatado pela Drake Star. As fusões e aquisições se mantiveram em um patamar “saudável”, com um total de 51 transações gerando US$ 1,4 bilhão em valor agregado. A maior parte desses negócios envolveu empresas menores e médias do setor de plataformas e estúdios voltados para jogos em PC/console e dispositivos móveis. Entre as principais transações estão a compra da Playstack pela IMC (um veículo de investimento da TPG), a recompra da gestão da CCP Games pela Pearl Abyss, além das aquisições da Hipster Whale pela Atari e da Metacore pela Supercell.
Os financiamentos privados também alcançaram mais de US$ 2,5 bilhões neste período, tornando-se o trimestre mais forte dos últimos doze meses e o segundo melhor nos últimos três anos. Contudo, esses números ainda não superaram o total registrado em 2025, que foi de US$ 161 bilhões em valor divulgado – impulsionado pelo LBO da EA de US$ 55 bilhões e pela proposta da Netflix de US$ 82,7 bilhões pela Warner. A diferença reside na metodologia utilizada: os levantamentos consideram cada transação na data em que é anunciada. Tanto o LBO da EA quanto a proposta da Netflix foram comunicados no final de setembro de 2025.
A transferência dos fundos da EA ocorreu somente em agosto de 2026 após receber aprovação do comitê de investimentos estrangeiros dos EUA e da Comissão Europeia. Em um desdobramento importante ocorrido em setembro, a Paramount firmou um acordo com os doze estados que estavam processando para bloquear a aquisição da Warner Bros. Discovery, permitindo assim a conclusão do negócio avaliado em US$ 110 bilhões antes do final daquele mês. Se as operações forem contabilizadas com base nas datas de fechamento ao invés das datas dos anúncios, então o ano de 2026 marca tanto o maior LBO já realizado quanto a maior fusão na história cinematográfica americana envolvendo estúdios dedicados aos games. Apesar disso, em termos anunciados em valor financeiro totalizado até agora permanece imbatível o ano anterior; no entanto, considerando os valores efetivamente pagos até agora, não há precedentes para o ano corrente.
Análise do mercado mobile
Apesar das diversas aquisições realizadas no segmento mobile durante o primeiro semestre deste ano apresentando gastos dos jogadores na ordem de US$ 40 bilhões – uma queda anual de 2% – os números referentes aos downloads são ainda mais alarmantes: foram registrados apenas 24 bilhões, representando uma diminuição significativa de 12%. Além disso, no primeiro trimestre deste ano ocorreram apenas 11,9 bilhões de instalações nos jogos móveis – este é considerado o pior desempenho desde o início de sua coleta em 2019 segundo análise realizada pela Sensor Tower.
O relatório também indica que a publicidade está se tornando uma fonte crucial para as editoras no setor mobile à medida que os gastos dos consumidores caem. Os desenvolvedores estão adotando estratégias híbridas que combinam compras in-app com publicidade como forma de mitigar essa desaceleração nos gastos dos usuários.
Inconsistências nos dados do mercado mobile
Embora haja dados aparentemente contraditórios sobre este mercado, é fundamental observar as metodologias utilizadas pelas empresas responsáveis pelas análises. A Sensor Tower considera apenas informações provenientes das lojas App Store (Apple) e Google Play; assim sendo, não inclui dados relacionados ao D2C (Direto ao Consumidor), lojas alternativas Android na China ou receitas provenientes de anúncios publicitários.
Quando esses outros dados são considerados numa nova análise feita pela Newzoo os números se mostram muito mais otimistas: estimativas apontam para um total projetado de US$ 113,3 bilhões para o ano fiscal de 2025 – muito acima dos US$ 81,75 bilhões indicados anteriormente pela Sensor Tower – além disso prevê-se um total ainda maior para o próximo ano com estimativa chegando até US$ 121,1 bilhões para o exercício fiscal referente a 2026.
Motivações para adquirir um mercado encolhido
A lógica por trás dessa aparente contradição está relacionada ao custo envolvido na captação e retenção dos jogadores. O custo por instalação aumentou em torno de 30% durante o ano passado – equivalente a aproximadamente US$0,56 – enquanto as instalações continuaram diminuindo pelo segundo ano consecutivo. Diante desse cenário onde adquirir novos usuários se torna dispendioso devido à elevada concorrência no mercado atual torna-se mais viável comprar estúdios já consolidados que possuem uma base fixa pagante ao invés de competir arduamente por novos consumidores.
Adicionalmente ao perfil das empresas compradoras – muitas delas fundos soberanos – é relevante notar que esses entes operam com prazos longos sem exigir retornos trimestrais recorrentes sobre seus investimentos; isso sugere que embora os ganhos do setor mobile tenham estagnado ele ainda representa uma oportunidade valiosa no contexto atual.
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