Impactos de um “tsunami solar” atingem a Terra hoje, gerando alerta para tempestades geomagnéticas

Na terça-feira, 13, a ocorrência de tempestades geomagnéticas é prevista, possibilitando a formação de auroras – as magníficas luzes do norte – em áreas selecionadas do planeta.

As previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos indicam que uma explosão solar deverá impactar o campo magnético da Terra por volta das 18h (horário de Brasília). Esse evento pode resultar em uma tempestade geomagnética de categoria G1, considerada leve em uma escala que vai até G5.

Função do campo magnético terrestre

Gelvam André Hartmann, geofísico e professor no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que uma das principais funções do campo magnético é colaborar com a atmosfera para formar a magnetosfera. Esta região minimiza a interação direta entre a Terra e as partículas carregadas provenientes do Sol.

“O campo magnético da Terra é crucial para proteger nosso planeta contra o vento solar e outras partículas eletricamente carregadas emitidas pelo Sol. Ele se une à atmosfera para criar a magnetosfera, que atua como um escudo, desviando grande parte dessas partículas e reduzindo sua interação com a atmosfera”, afirmou o especialista.

A proteção proporcionada pelo campo magnético também é vital para a evolução atmosférica. Hartmann ressalta que o vento solar pode afetar as camadas superiores da atmosfera e, ao longo de longos períodos, contribuir para a perda de partículas no espaço. Sem o campo magnético, essa interação ocorreria de forma mais intensa.

Efeitos da tempestade geomagnética na tecnologia e na natureza

Embora seja classificada como uma tempestade G1 leve, seus impactos podem ser percebidos tanto na tecnologia quanto no meio ambiente. Ela pode provocar pequenas oscilações nos sistemas elétricos e interferências nas operações dos satélites orbitais. Ademais, esse fenômeno tende a desorientar espécies migratórias que utilizam o campo magnético como guia e iluminar o céu com auroras visíveis em regiões de altas latitudes.

A plataforma SpaceWeather.com, especializada em climatologia e meteorologia espacial, aponta que há possibilidade de intensificação dessa tempestade para a categoria G2 caso um evento conhecido como ejeção de massa coronal (CME) também atinja a Terra. Essa CME foi gerada por uma erupção significativa ocorrida no sábado (10).

No dia mencionado, uma mancha solar denominada AR4549 provocou uma explosão classificada como M6,4 às 12h10, resultando na CME e criando uma onda de choque que se espalhou pela atmosfera solar.

Tempestades geomagnéticas categorizadas como G2 podem causar flutuações na tensão elétrica em redes situadas em altas latitudes e potencialmente danificar transformadores se persistirem por longos períodos.

No espaço, o aumento do arrasto atmosférico altera as órbitas dos satélites, exigindo manobras corretivas pelas equipes terrestres. Além disso, esse fenômeno pode enfraquecer transmissões de rádio de alta frequência nas áreas polares e ampliar o alcance das auroras boreais, tornando-as visíveis em locais mais ao sul do que normalmente seria possível.

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