Uma jovem galesa de 23 anos, chamada Phoebe Tesoriere, encontrou um diagnóstico para sua condição de saúde rara com a assistência do ChatGPT, após quatro anos enfrentando diagnósticos imprecisos. Residentes em Cardiff, ela foi inicialmente diagnosticada com ansiedade, depressão e epilepsia, até que testes genéticos revelaram que na verdade Sofre de paraplegia espástica hereditária.
Desde a infância, Phoebe apresentava problemas de saúde. Nascida sem um soquete no quadril, passou por diversas cirurgias ainda no primeiro ano de vida. Ao longo do tempo, enfrentou dificuldades de equilíbrio e chegou a ser avaliada para dispraxia, uma condição que afeta a coordenação motora, mas os resultados foram negativos.
<pQuando completou 19 anos, desmaiou e teve uma convulsão no trabalho. Os médicos atribuíram o ocorrido à ansiedade. Contudo, ela contestou essa avaliação: “Não tinha histórico de ansiedade; sempre fui uma pessoa alegre e cheia de vida”, relatou à BBC.
No ano passado, Phoebe foi diagnosticada com epilepsia e começou um tratamento medicamentoso. No entanto, precisou suspender a medicação em dezembro de 2024 devido ao retorno dos sintomas que a impediam de continuar.
Nessa fase, ela enfrentava dificuldades para andar e recebeu um diagnóstico incorreto de paralisia de Todd, uma condição neurológica caracterizada por paralisia temporária após convulsões.
Em janeiro de 2025, Phoebe caiu de uma escada e passou três meses internada no hospital. Durante esse período, os exames realizados não levaram a conclusões definitivas.
Em julho do último ano, ela sofreu uma convulsão severa e ficou em coma por três dias. Após sua recuperação, recebeu mais uma vez o diagnóstico errôneo de ansiedade. Nesse contexto crítico, decidiu inserir seus sintomas no ChatGPT.
Como o ChatGPT auxiliou no diagnóstico
Após relatar seus sintomas ao chatbot, Tesoriere discutiu as sugestões obtidas com sua parceira e apresentou os resultados ao médico responsável. O clínico geral concordou que a paraplegia espástica hereditária poderia ser uma explicação válida para suas condições e os testes genéticos confirmaram essa hipótese levantada pela inteligência artificial.
O NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) informa que é difícil estimar quantas pessoas padecem dessa condição devido à frequência com que permanece sem diagnóstico.
Um porta-voz do Conselho de Saúde de Cardiff e Vale afirmou à BBC que “fazer comentários sobre casos individuais não seria apropriado”, portanto não poderiam fornecer mais informações sobre o caso específico. Contudo, o órgão incentivou Phoebe a entrar em contato com a equipe responsável pela relação com os pacientes.
Atualmente incapaz de continuar seu trabalho como professora e utilizando cadeira de rodas, Phoebe busca novos horizontes profissionais após receber o diagnóstico correto. Ela planeja estudar psicologia para “fazer algo que beneficie as pessoas”.
Inteligência artificial na área da saúde
O ChatGPT dispõe também de uma versão focada em orientações médicas chamada ChatGPT Health.
Ainda que a experiência positiva de Phoebe seja digna de nota, é importante considerar os potenciais riscos da aplicação da inteligência artificial no diagnóstico médico pessoal. Por exemplo:
- Uma análise independente do ChatGPT Health identificou sérias falhas na detecção de situações emergenciais e sinais relacionados à ideação suicida. Os pesquisadores advertiram que isso pode gerar uma falsa sensação de segurança e resultar em mortes desnecessárias;
- Um estudo realizado pela Universidade de Oxford no início deste ano já havia apontado inconsistências nos conselhos médicos fornecidos por chatbots baseados em IA, colocando os usuários sob risco potencial.
O conteúdo sobre como o ChatGPT ajudou uma jovem a identificar uma condição rara após anos recebendo diagnósticos incorretos foi adaptado.
