Guerra de preços entre laboratórios aquece mercado de canetas para emagrecimento

A empresa farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk começa a ver os primeiros efeitos do lançamento de sua nova pílula de emagrecimento, em um cenário onde a competição com a americana Eli Lilly se intensifica, especialmente por conta das ‘canetas emagrecedoras’. Embora haja uma demanda inicial robusta, os investidores permanecem cautelosos, aguardando indicações de que o desempenho do medicamento será capaz de equilibrar as pressões sobre os preços no mercado.

As atenções estão voltadas para os resultados financeiros do primeiro trimestre, que serão revelados pela Novo Nordisk nesta quarta-feira (6). A companhia busca recuperar seu espaço no setor de tratamentos para obesidade após um período conturbado, caracterizado por testes frustrantes de novos produtos e revisões pessimistas nas projeções, resultando em significativas quedas em seu valor de mercado desde o auge alcançado em 2024.

“Eu estarei atento a como eles podem transitar de uma abordagem mais defensiva para uma mais agressiva”, comentou Mikael Bak, presidente da Associação Dinamarquesa de Acionistas, em entrevista à agência Reuters.

Aumento nas prescrições, mas incertezas sobre a receita

Dados preliminares sugerem que o novo comprimido oral Wegovy foi recebido com mais entusiasmo do que se esperava. Segundo estimativas da IQVIA, aproximadamente 721 mil prescrições foram registradas nos Estados Unidos apenas no primeiro trimestre, conforme análise da BMO Capital Markets.

No entanto, especialistas alertam que esse volume elevado não necessariamente se traduz em um aumento nas receitas. Uma parte considerável das prescrições (cerca de 450 mil) refere-se à dose inicial mais acessível, que custa US$ 149 por mês. Essa situação pode pressionar as receitas no curto prazo, com previsões indicando um desempenho até 12% abaixo do esperado para este período.

James Gordon, analista do Barclays, observou que o lançamento foi superior às expectativas, mas há preocupações sobre o fato de muitos pacientes estarem limitados à versão mais econômica. Outro ponto destacado é o ritmo lento na transição dos pacientes para doses superiores, sugerindo tanto uma permanência nas opções mais baratas quanto um abandono precoce do tratamento.

“É possível que algumas pessoas estejam começando com a dose baixa e econômica e optando por continuar com ela simplesmente pelo custo menor e pela falta de necessidade de maior eficácia proporcionada pelas doses mais elevadas. Muitas variáveis ainda precisam ser consideradas antes mesmo que o concorrente oral da Lilly comece a impactar o mercado”, afirmou Gordon.

Conflito entre Novo Nordisk e Eli Lilly: rivalidade acirrada no setor das canetas emagrecedoras

A competitividade aumentou significativamente no início de abril, quando a Eli Lilly recebeu autorização para comercializar sua própria pílula destinada ao combate da obesidade. Isso marcou o fim de um período em que a Novo Nordisk operava quase isoladamente nesse nicho nos Estados Unidos.

Apesar dessa nova realidade competitiva, os resultados recentes da Lilly demonstram que a procura por medicamentos para emagrecimento continua forte, o que pode ser vantajoso para ambas as empresas. Contudo, a intensificação da concorrência provavelmente exacerbará a luta por preços.

Além da rivalidade direta entre as empresas, questões políticas também são relevantes nesse contexto. Nos Estados Unidos, há pressões para diminuir os custos dos medicamentos, o que pode impactar as margens de lucro do setor.

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Diante desse cenário dinâmico e desafiador, investidores observam atentamente os próximos passos da Novo Nordisk e sua posição frente à Eli Lilly, que tem se mostrado mais agressiva tanto na inovação quanto nas estratégias comerciais.