Um segundo caso de hantavírus foi identificado entre os passageiros de um navio que saiu da Argentina com destino à África do Sul. A nova vítima, uma mulher de nacionalidade alemã, faleceu durante a viagem. As informações foram divulgadas pelas autoridades de saúde nesta segunda-feira (4).
Anteriormente, tinha sido registrado o primeiro caso: um homem britânico de 69 anos, que permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Joanesburgo, África do Sul.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, até o presente momento, há seis casos suspeitos da doença a bordo da embarcação. Dentre esses, três resultaram em óbito.
O navio transporta cerca de 150 pessoas, incluindo tanto passageiros quanto membros da tripulação. As autoridades sanitárias dos países envolvidos estão investigando a origem da infecção e monitorando a situação continuamente.
O que é a hantavirose e como o vírus transmitido por roedores afeta o organismo humano
A hantavirose é uma zoonose viral aguda originada de um vírus RNA que pertence à família Hantaviridae, no gênero Orthohantavirus.
No continente americano, a infecção geralmente se apresenta como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Já na Europa e na Ásia, é mais frequente a ocorrência da Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR).
Os roedores silvestres atuam como reservatórios naturais do vírus. Eles podem carregar o patógeno ao longo de suas vidas sem apresentarem sintomas da doença e eliminam o agente infeccioso no ambiente através de saliva, urina e fezes.
A infecção em humanos ocorre principalmente pela inalação de aerossóis, que são pequenas partículas suspensas no ar oriundas das excreções secas desses animais infectados.
Além disso, a transmissão pode acontecer, embora raramente, através de mordidas de roedores ou pelo contato das mãos contaminadas com as mucosas bucais, nasais e oculares.
No Brasil, aproximadamente 70% dos casos de infecção são registrados em áreas rurais, conforme informações do Ministério da Saúde. A letalidade média da doença no país é elevada: cerca de 46,5% entre os casos confirmados.
A incubação do vírus pode variar entre uma e cinco semanas. Os primeiros sintomas incluemfebre, dores de cabeça, dores musculares edistúrbios gastrointestinais.
Caso não seja tratada adequadamente, a doença pode evoluir para uma fase cardiopulmonar, levando adificuldades respiratórias, tosse seca e aumento dos batimentos cardíacos. Em situações graves, os pacientes podem desenvolver síndrome da angústia respiratória (SARA) e choque circulatório.
No entanto, não existe um tratamento específico ou antiviral para a infecção por hantavírus. O manejo clínico se baseia em cuidados intensivos que podem incluir oxigenoterapia e ventilação mecânica, além de diálise em casos de insuficiência renal.
A prevenção consiste em evitar o contato com roedores e suas fezes por meio de medidas rigorosas de controle ambiental e higiene.
É recomendável manter alimentos armazenados em recipientes fechados, selar aberturas que permitam a entrada de animais nas casas e utilizar equipamentos de proteção individual durante a limpeza em locais suspeitos de infestação.
A realização da limpeza nos arredores das residências e o descarte correto de resíduos também são essenciais para impedir a aproximação desses roedores hospedeiros.
(Esta matéria também utilizou informações do Ministério da Saúde.)
