Sinais em torno dos olhos indicam perigo de infarto e AVC

Manchas amareladas na área ao redor dos olhos podem indicar um risco elevado de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Pesquisadores da Universidade Stanford descobriram uma correlação entre essa condição, chamada xantelasma, e uma maior prevalência de eventos cardiovasculares.

O objetivo da pesquisa é auxiliar médicos na identificação precoce de pacientes que possuam fatores de risco cardiovascular. Essa ligação foi observada tanto no primeiro ano do estudo quanto nas avaliações realizadas cinco e dez anos após o início da investigação.

O que caracteriza o xantelasma?

A aterosclerose pode se manifestar de forma silenciosa, com o acúmulo de placas lipídicas nas artérias restringindo o fluxo sanguíneo e aumentando a probabilidade de problemas cardíacos. Em busca de sinais que possam indicar esse processo mais precocemente, os pesquisadores focaram no xantelasma.

Essa condição leva à formação de placas amareladas nas pálpebras, resultantes do acúmulo de colesterol e outras gorduras nos macrófagos, células do sistema imunológico. Dado que a acumulação de gordura está ligada à aterosclerose, a equipe da Stanford investigou se uma relação existia entre essas duas condições.

Dados da pesquisa

Os cientistas analisaram informações médicas de 17.925 indivíduos com xantelasma, comparando-os a um grupo controle da mesma dimensão. Os membros deste segundo grupo apresentavam presbiopia, uma condição que dificulta a visão próxima, e também haviam realizado exames oftalmológicos.

No primeiro ano do acompanhamento, a ocorrência de eventos cardiovasculares foi mais alta entre aqueles com xantelasma:

  • Infarto: 1% dos participantes com xantelasma (178 pessoas), em comparação com 0,35% no grupo controle (63 indivíduos).
  • AVC: 0,95% entre os afetados pelas manchas contra 0,3% no grupo controle.
  • Ataque isquêmico transitório (AIT): 0,6% em comparação com 0,19% no grupo controle.

A diferença reduziu um pouco ao longo do tempo, mas o risco continuou significativamente maior entre os pacientes com xantelasma nas análises realizadas cinco e dez anos após o início do estudo.

Um potencial indicador nos consultórios

As manchas não são consideradas a causa direta dos infartos ou AVCs. O valor dessa descoberta reside na possibilidade do xantelasma atuar como um sinal visível associado a outros fatores de risco cardiovascular.

“O xantelasma está relacionado a uma maior incidência de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares significativos tanto no curto quanto no longo prazo, até dez anos”, afirmaram os pesquisadores.

A pesquisa também revelou um dado importante: a taxa desses eventos foi similar entre os pacientes com xantelasma, independentemente dos níveis elevados de lipídios no sangue. Isso sugere que outros fatores possam influenciar essa associação.

Os cientistas notam que muitos portadores de xantelasma buscam dermatologistas por razões estéticas, embora possam ter fatores de risco cardiovascular não diagnosticados ou mal controlados.

Prevenção e passos futuros

A detecção do xantelasma pode representar uma oportunidade para investigar a saúde cardiovascular desses indivíduos e implementar medidas preventivas quando necessário, conforme indicam os autores do estudo.

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“Os achados do nosso estudo ressaltam a importância da avaliação precoce dos pacientes com xantelasma para identificar e manejar suas condições sistêmicas subjacentes, ajudando assim na prevenção de possíveis eventos cardiovasculares”, concluem os autores.

Os pesquisadores recomendam intervenções como alterações no estilo de vida, tratamento para anomalias nos níveis lipídicos e controle da pressão arterial. Novas investigações ainda são necessárias para elucidar as razões pelas quais o xantelasma está associado a um aumento do risco de infarto, AVC e outros problemas cardiovasculares.

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