A empresa chinesa BrainCo está em fase de desenvolvimento de um dispositivo vestível que visa controlar o apetite através de estímulos direcionados ao cérebro. Esta tecnologia é apresentada como uma alternativa potencial aos fármacos para obesidade, como Wegovy e Zepbound, que utilizam a base do GLP-1.
Nyx He, cofundadora da BrainCo, prevê que o produto seja lançado nos próximos dois a três anos, começando sua distribuição na China antes de se expandir para o mercado dos Estados Unidos. Conforme informações da Bloomberg, a inovação ainda está em fase de testes e busca integrar a interface cérebro-computador ao setor de emagrecimento.
Como funcionaria o GLP-1 eletrônico
O dispositivo desenvolvido pela BrainCo contará com uma interface cérebro-computador (BCI) que irá estimular os sinais neurais relacionados ao controle do apetite. A intenção da empresa é influenciar os processos cerebrais que geram a sensação de fome.
Durante uma entrevista no evento Bloomberg Tech London, He comparou o projeto à “versão eletrônica dos medicamentos para obesidade à base de GLP-1”. Vale ressaltar que essa analogia se refere à proposta comercial da empresa e não implica em uma equivalência terapêutica já estabelecida.
Diferentemente dos medicamentos disponíveis atualmente, como Wegovy e Zepbound, que replicam hormônios metabólicos para regular o apetite, a abordagem da BrainCo se concentra em estimular diretamente o cérebro, sem a necessidade de fármacos.
Até agora, a companhia não divulgou resultados concretos que comprovem a eficácia do dispositivo na redução do apetite ou no emagrecimento. Além disso, informações sobre os métodos de estimulação e os resultados obtidos em testes ainda não foram reveladas.
A empresa está considerando diferentes estratégias de comercialização, incluindo versões voltadas para uso clínico e outras destinadas ao consumidor final.
Outros dispositivos desenvolvidos pela BrainCo
Localizada em Hangzhou, na China, a BrainCo já atua com tecnologias em neuroterapia, robótica e próteses. Entre seus produtos estão fones de ouvido com interface cérebro-computador não invasiva, projetados para tratar condições como autismo, TDAH e insônia.
Esses dispositivos têm a capacidade de coletar e interpretar sinais neurais e, em certos casos, estimulá-los. A empresa também está desenvolvendo próteses manuais que permitem aos amputados controlar dedos artificiais através de sinais do cérebro.
As principais áreas de atuação da companhia incluem:
- Fones de ouvido BCI destinados ao tratamento de distúrbios neurológicos;
- Próteses manuais acionadas por sinais cerebrais que possibilitam atividades como tocar instrumentos musicais e praticar caligrafia;
- Fornecimento de mãos robóticas para a indústria chinesa voltada à robótica humanoide.
Embora a BrainCo tenha focado até agora em tecnologias não invasivas, He mencionou que futuras pesquisas podem levar a soluções envolvendo implantes cerebrais.
Empresa mantém planos de expansão internacional
A presença da BrainCo nos Estados Unidos ocorre em um contexto de crescente vigilância geopolítica sobre as tecnologias de interface cérebro-computador. Estão sendo discutidas propostas para limitar investimentos americanos em empresas chinesas desse setor.
Apesar desse panorama desafiador, He destacou que há uma demanda robusta pelos produtos da empresa no mercado americano e expressou otimismo quanto à aceleração desse crescimento.
“Continuamos percebendo uma grande demanda por nossas inovações, tanto pelas mãos robóticas quanto pelas próteses para amputados”, afirmou a executiva.
Recentemente, foi noticiado que a BrainCo protocolou um pedido confidencial visando realizar uma oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong. He optou por não comentar sobre esses planos ou sobre possíveis captações adicionais antes da abertura do capital.
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