Desvendando a baixa taxa de conclusão nos games: Dificuldade ou tempo de jogo?

Você já adquiriu um jogo, dedicou algumas horas à sua exploração e nunca mais retornou a ele? Essa situação é mais comum do que se imagina. Em muitos títulos, menos de 50% dos jogadores conseguem chegar até os créditos finais, o que levanta uma questão interessante: o que leva tantas pessoas a desistirem de um game?

A explicação pode parecer simples: jogos excessivamente desafiadores ou campanhas muito longas. No entanto, títulos como Elden Ring e Senua’s Saga: Hellblade 2 demonstram que a relação entre dificuldade, duração e finalização é bem mais intrincada.

Embora a afirmação de que apenas quatro em dez jogadores completam um jogo seja uma referência útil para analisar esse fenômeno, não existe uma taxa de conclusão universal que se aplique a todos os games. Os números podem variar dependendo do título, da plataforma utilizada e do período considerado.

Jogos difíceis afastam os jogadores?

Quando Elden Ring completou quase três semanas desde seu lançamento em março de 2022, apenas 17% dos usuários da Steam tinham alcançado um dos finais desse RPG da FromSoftware, conforme dados de conquistas divulgados por fontes especializadas.

Naquela época, aproximadamente 30% dos jogadores ainda não tinham conseguido derrotar Margit, um dos primeiros e mais desafiadores chefes do jogo.

Esses dados evidenciam como a dificuldade pode atuar como uma barreira à progressão, especialmente em jogos que exigem aprendizado contínuo, exploração detalhada e repetição de batalhas.

Entretanto, outro aspecto deve ser considerado: a forma como o desafio é percebido pelos jogadores.

Em 2025, os criadores de The First Berserker: Khazan notaram que uma parte significativa dos jogadores preferia abandonar a campanha a optar pela dificuldade Fácil.

De acordo com o diretor criativo Junho Lee, a nomenclatura desse modo carregava um estigma que desestimulava sua escolha. Para resolver isso, a equipe introduziu novas opções de dificuldade, incluindo um modo Iniciante.

Esse exemplo mostra que oferecer alternativas não é suficiente; a maneira como elas são apresentadas também influencia se o jogador decide continuar ou não.

Jogos curtos também são abandonados

Se a duração fosse realmente o principal fator de abandono, jogos com campanhas mais breves deveriam ter taxas de conclusão muito superiores. No entanto, essa lógica nem sempre se confirma.

Senua’s Saga: Hellblade 2, lançado em maio de 2024, possui uma duração aproximada de seis a sete horas. Mesmo assim, apenas duas semanas após seu lançamento, cerca de 13% dos jogadores haviam obtido a conquista de finalização no Xbox.

No Steam, essa taxa era em torno de 33% naquele período.

A diferença nas taxas entre as plataformas sugere que o acesso ao jogo também desempenha um papel importante nos resultados obtidos.

Disponível no Xbox Game Pass desde seu lançamento, Hellblade 2 podia ser testado por assinantes sem necessidade de compra individual. Isso facilita para que os jogadores iniciem a campanha por mera curiosidade e abandonem caso não se sintam engajados com a experiência proposta.

É fundamental lembrar que esses percentuais refletem momentos específicos após os lançamentos e não representam taxas definitivas de conclusão; muitos jogadores ainda estavam desenvolvendo suas campanhas nesse intervalo.

Então, por que tantos jogadores não chegam ao final?

Embora dificuldade e duração contribuam para o abandono dos jogos, essas razões não explicam toda a situação.

Um game pode perder o interesse do público devido à progressão monótona, ritmo narrativo lento ou mecânicas pouco cativantes. Além disso, eles competem com outros lançamentos pelo tempo disponível dos jogadores.

É importante distinguir entre deixar um jogo por frustração e interromper uma campanha porque ela já proporcionou ao jogador aquilo que ele buscava. Em mundos abertos, por exemplo, explorar o mapa e realizar atividades secundárias pode ser mais atrativo do que concluir a narrativa principal.

Além disso, estatísticas sobre conquistas não revelam as motivações pessoais dos jogadores. Elas indicam quantas pessoas atingiram determinados objetivos sem esclarecer as razões pelas quais outras pararam antes disso.

Os casos de Elden Ring, Hellblade 2 e Khazan apontam para uma conclusão clara: não há uma única causa para o abandono das campanhas pelos jogadores.

Mais do que descobrir qual é a duração ou dificuldade perfeita, o desafio para os desenvolvedores reside em manter o interesse do público durante toda a experiência. Afinal, completar um jogo não é necessariamente a única forma de desfrutá-lo.