NASA implementa inteligência artificial para salvaguardar astronautas da missão Artemis 2 contra radiação solar

A cápsula Orion, que partiu da Terra rumo à Lua na última quarta-feira (1), está se afastando gradualmente do nosso planeta e, com isso, os astronautas da missão Artemis 2 começam a perder parte da proteção natural proporcionada pelo campo magnético terrestre, que é fundamental para desviar a radiação solar.

O principal perigo enfrentado em missões espaciais não são apenas falhas técnicas ou impactos de micrometeoroides, mas sim as partículas carregadas emitidas pelo Sol durante suas erupções e explosões. Para mitigar esse risco, a NASA utiliza inteligência artificial (IA) para prever a radiação solar. Esse sistema foi desenvolvido por acadêmicos da Universidade de Michigan, permitindo alertar a tripulação antes que tempestades de partículas atinjam a nave, oferecendo tempo para implementar medidas de proteção.

Resumo dos principais pontos:

  • A radiação solar representa o maior risco no espaço profundo;
  • Partículas provenientes do Sol têm o potencial de danificar células e DNA;
  • A cápsula da missão Artemis 2 apresenta blindagem, mas precauções adicionais são essenciais;
  • A ferramenta de IA consegue prever tempestades solares com uma antecedência de até 24 horas;
  • Modelos físicos ajudam a estimar impacto e duração da radiação;
  • Esses dados permitem o planejamento e aplicação de estratégias de proteção eficazes.

NASA testa ferramentas de IA para avisar os astronautas

O Grupo de Análise de Radiação Espacial (SRAG) da NASA monitora essas previsões durante a missão. A Artemis 2 acontece no auge do ciclo solar, quando manchas solares e erupções são mais comuns. Incidentes recentes demonstram que esses riscos são concretos: prótons acelerados podem se deslocar quase à velocidade da luz e impactar a nave em questão de minutos.

Caso essas partículas atinjam os astronautas, podem causar danos celulares significativos e aumentar o risco de câncer no longo prazo. Em situações extremas, conforme informado pela agência espacial, podem ocorrer sintomas imediatos como náuseas. Com o intuito de minimizar esses riscos, a cápsula Orion foi projetada com avançada blindagem; além disso, a NASA capacita os astronautas para reforçar a proteção da cabine quando necessário.

Em situações críticas, os tripulantes têm a opção de reorganizar equipamentos e utilizar partes da nave como barreiras adicionais. Esse procedimento visa aumentar a segurança sem interromper as atividades em andamento, permitindo que experimentos e operações sigam mesmo diante da ameaça radiativa.

A primeira tecnologia avaliada é um modelo baseado em aprendizado de máquina. Segundo comunicado oficial, ele prevê a probabilidade de tempestades solares perigosas com até um dia de antecedência. Para isso, utiliza imagens captadas pela superfície e pela coroa solar por meio do Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da NASA e do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), resultado de uma colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA).

Esses registros históricos sobre radiação e atividade solar acumulados ao longo das últimas décadas servem para treinar o algoritmo na identificação de sinais que indicam erupções iminentes. De acordo com Lulu Zhao, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto CLEAR da NASA que monitora radiação solar, o modelo observa continuamente o Sol 24 horas por dia, analisando sua evolução magnética e eventos que possam liberar energia adicional.

No entanto, vale ressaltar que essa ferramenta fornece somente probabilidades sobre tempestades solares, sem informações detalhadas sobre intensidade ou duração. Assim sendo, a equipe complementa os dados obtidos através do aprendizado de máquina com um modelo físico que simula como as partículas solares se propagam.

NASA avalia os efeitos da radiação utilizando modelo físico

O modelo físico desenvolvido calcula quando erupções solares resultarão em tempestades de partículas tanto na Terra quanto na Lua e determina quanto tempo os níveis elevados de radiação permanecerão. Ele analisa o comportamento das partículas na coroa solar — região onde elas são aceleradas — oferecendo previsões mais precisas em comparação aos métodos simplificados utilizados anteriormente.

Baseando-se em estudos realizados em 2014 pela Universidade de Michigan, esse modelo permite uma rápida estimativa da exposição à radiação. Quando ocorre uma erupção solar, as medições sobre a velocidade das partículas são enviadas ao banco de dados da NASA, alimentando o sistema para cálculos imediatos dos riscos envolvidos.

Para garantir eficiência nas análises, a equipe liderada por Zhao teve acesso a três mil unidades de processamento no supercomputador da NASA. Sem essa capacidade computacional adequada, poderiam ocorrer atrasos que colocariam os astronautas em perigo; afinal, partículas solares podem atingir rapidamente uma nave após uma explosão.

Através da combinação dos modelos físico e baseado em IA, a NASA pode monitorar as condições em tempo real, aumentando assim a segurança dos astronautas enquanto a Artemis 2 se distanciara do campo protetor proveniente da Terra.

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Alertas radiativos guiam operações em tempo real

Membros do SRAG já monitoram sensores instalados na Orion para detectar níveis elevados de radiação. Caso haja um aumento súbito nos índices radiativos, eles podem notificar imediatamente o Controle da Missão para adotar medidas corretivas. O aspecto mais benéfico das previsões é o tempo extra disponível: algumas horas podem ser cruciais para assegurar a proteção dos astronautas.

A Artemis 2 vai além dos testes relacionados apenas aos foguetes ou à navegação; ela também avalia como a NASA consegue “ler” o Sol em tempo real ao experimentar novas tecnologias voltadas à previsão radiativa.

A eficácia dessas previsões é fundamental para futuras expedições à Lua e além dela. Combinando inteligência artificial com modelos físicos avançados, a NASA aprimora não só a segurança dos tripulantes como também diminui os riscos associados à exposição à radiação no espaço profundo.

Deseja saber mais sobre as aventuras da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.