Cientistas da China desenvolvem inteligência artificial autossuficiente que supera habilidades humanas em avaliações

Um grupo de cientistas da Universidade Jiao Tong, localizada em Xangai, criou um modelo de inteligência artificial denominado ASI-Evolve, que tem a capacidade de se autoaprimorar. Essa IA gera versões aprimoradas de si mesma por meio de ciclos analíticos ininterruptos.

O funcionamento do sistema é baseado em um loop que imita a maneira como os seres humanos testariam novas tecnologias em inteligência artificial. Ele produz variações de modelos, modifica métodos de treinamento e faz ajustes nos dados utilizados.

O ASI-Evolve se destaca por possuir dois elementos principais que o tornam único em comparação com outros agentes evolutivos: uma base cognitiva que integra experiências humanas acumuladas a cada rodada de exploração e um analisador especializado que converte resultados experimentais complexos em insights reutilizáveis para futuras iterações.

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Os cientistas afirmam que esta é a primeira estrutura unificada capaz de mostrar descobertas orientadas por IA em três aspectos fundamentais do desenvolvimento dessa tecnologia: dados, arquiteturas e algoritmos de aprendizado.

Desempenho superior em testes controlados

Nos testes controlados realizados, o ASI-Evolve conseguiu otimizar uma função específica — seu mecanismo de atenção — alcançando 0,97 pontos em um benchmark padrão, enquanto pesquisadores humanos obtiveram apenas 0,34 pontos.

Essas pontuações referem-se aos resultados desse teste, onde incrementos pequenos são considerados significativos, colocando o desempenho da IA quase três vezes acima do humano nessa tarefa específica.

Além da pesquisa em inteligência artificial, o sistema também demonstrou eficácia ao ser utilizado como modelo para descoberta de medicamentos, superando sistemas já existentes. Os pesquisadores ressaltam que esse modelo pode ser aproveitado por analistas financeiros, engenheiros biomédicos, cientistas do clima ou desenvolvedores de jogos para descobrir soluções mais eficazes do que aquelas que humanos conseguiriam alcançar manualmente.

Colaboração entre humanos e máquinas

O pesquisador Xu Weixian comentou à publicação 36Kr que “no ASI-Evolve, temos uma grande quantidade de experiência humana incorporada. Não estamos buscando uma ‘evolução cega’ sem direção humana; as ideias centrais e os objetivos experimentais são sempre definidos por humanos. O verdadeiro valor do sistema reside em utilizar a poderosa capacidade exploratória da IA para iterar rapidamente com base nas orientações humanas.”

Weixian destacou que o sistema atua mais como uma colaboração altamente eficiente entre humanos e máquinas do que como um substituto impessoal. Isso representa uma mudança no papel humano, passando da resolução e correção de problemas para a definição dos mesmos. O ASI-Evolve ainda exige supervisão humana durante sua evolução, o que significa que não representa uma ameaça ao emprego.

Embora os pesquisadores não tenham fornecido detalhes sobre os custos energéticos relacionados ao funcionamento do ASI-Evolve, sua eficiência e velocidade sugerem um consumo energético consideravelmente menor quando comparado aos modelos tradicionais treinados em grandes conjuntos de dados. Espera-se que os agentes de IA sejam protagonistas na próxima fase do desenvolvimento na China, onde novos data centers também deverão adotar tecnologias sustentáveis.

A pesquisa foi disponibilizada no arXiv e pode ser acessada através do GitHub da Universidade Jiao Tong de Xangai.

Fonte: newatlas.com

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