No último domingo (03), a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a confirmação de ao menos três óbitos associados a um potencial surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que estava navegando no Oceano Atlântico.
Conforme informações divulgadas à BBC Brasil, já há um caso da doença confirmado por meio de testes laboratoriais, enquanto outros cinco indivíduos estão sendo avaliados para a condição.
As autoridades de saúde ressaltaram que estão realizando “investigações minuciosas” para esclarecer as suspeitas, com o intuito de determinar a extensão da infecção entre os passageiros da embarcação.
A hantavirose, embora rara, gera preocupação devido à gravidade do agente patogênico, levando organismos internacionais a se mobilizarem, especialmente após relatos recentes de mortes provocadas pela Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
O que é a hantavirose e como o vírus transmitido por roedores afeta o organismo humano
A hantavirose é uma zoonose viral aguda, resultante da infecção por um vírus RNA que pertence à família Hantaviridae, especificamente do gênero Orthohantavirus.
No continente americano, essa infecção se manifesta principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Já na Europa e na Ásia, a febre hemorrágica associada à síndrome renal (FHSR) é mais prevalente.
Os roedores silvestres atuam como reservatórios naturais do vírus, portando-o durante toda sua vida sem apresentarem sintomas. Eles eliminam o patógeno no ambiente através de saliva, urina e fezes.
A infecção em humanos ocorre, principalmente, pela inalação de aerossóis, que são partículas minúsculas suspensas no ar e provenientes de excrementos secos dos animais infectados.
Em situações menos comuns, o vírus pode ser transmitido através de bocas de roedores ou pelo contato das mãos contaminadas com mucosas da boca, nariz e olhos.
No Brasil, aproximadamente 70% dos casos registrados ocorreram em áreas rurais, conforme dados do Ministério da Saúde. Ademais, a taxa média de letalidade da doença no país é elevada: cerca de 46,5% entre os casos confirmados.
A incubação do vírus varia entre uma e cinco semanas. Os sintomas iniciais incluem febre, dores de cabeça, dor muscular e dificuldades gastrointestinais.
A evolução da doença pode levar à fase cardiopulmonar, manifestando-se com dificuldade respiratória, tosse seca e aumento dos batimentos cardíacos. Em casos severos, o quadro pode progredir para síndrome da angústia respiratória (SARA) e choque circulatório.
No que diz respeito ao tratamento, não há uma abordagem específica ou antiviral disponível para combater a infecção por hantavírus. A assistência médica consiste em cuidados intensivos de suporte, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, além de diálise em situações onde haja insuficiência renal.
A prevenção centra-se na minimização do contato com roedores e seus resíduos através de práticas eficazes de controle ambiental e rigorosa higiene.
Mantenha alimentos armazenados em recipientes fechados, feche aberturas que possam permitir a entrada de roedores nas residências e utilize equipamentos de proteção individual ao limpar locais suspeitos de infestação.
A limpeza das áreas ao redor das casas e o descarte adequado de entulhos também são essenciais para evitar a aproximação desses roedores hospedeiros.
(Esta matéria também incluiu informações do Ministério da Saúde.)
