Profissionais da saúde e pesquisadores presentes na plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO) se levantaram em sinal de apreço quando os dados do estudo RASolute 302 foram exibidos. O momento foi marcado por aplausos e até lágrimas de emoção.
Os resultados apresentados referiam-se à fase 3 do estudo envolvendo o daraxonrasib, um medicamento oral para tratamento de câncer desenvolvido pela empresa Revolution Medicines. As informações foram divulgadas na segunda-feira (1º) durante o congresso, que é considerado o maior e mais relevante evento de oncologia clínica do mundo, realizado em Chicago, nos Estados Unidos.
Resultados de pílula para câncer tiveram ‘aplauso em pé’ no maior congresso de oncologia do mundo
O estudo RASolute 302 consistiu em um ensaio clínico randomizado de fase 3, onde 500 pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um dos grupos recebeu a pílula para câncer, enquanto o outro continuou o tratamento com quimioterapia convencional.
A apresentação dos resultados emocionou os profissionais presentes:
- No grupo de pacientes com a mutação RAS G12, a mais prevalente no câncer pancreático, a média de sobrevida foi de 13,2 meses para aqueles que usaram o comprimido. Em contraste, os que optaram pela quimioterapia apresentaram uma média de 6,6 meses;
- O risco de morte em decorrência da doença foi reduzido em 60%;
- O tempo até a progressão da doença foi de 7,3 meses entre os que tomaram a pílula, comparado a apenas 3,5 meses para os que se submeteram à quimioterapia;
- Mais de 30% dos pacientes tratados com o comprimido mostraram uma redução mensurável do tumor, enquanto essa taxa foi apenas de 11,2% entre os que realizaram quimioterapia;
- A análise dos resultados mostrou que as taxas eram praticamente equivalentes ao se considerar o total dos pacientes envolvidos, incluindo aqueles sem a mutação RAS G12;
- Apenas 1,2% dos pacientes que utilizaram a pílula interromperam o tratamento devido a efeitos colaterais, enquanto essa taxa foi significativamente maior entre os que fizeram quimioterapia, chegando a 11,2%.
“Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade e um impacto significativo na sobrevida, além de um mecanismo inovador para essa enfermidade”, afirmou Stephen Stefani, oncologista da Americas Health Foundation, durante sua participação na plenária.
Stefani acrescentou: “Estamos falando de mais de 500 pacientes com câncer pancreático avançado sem resposta à quimioterapia avaliados sob um rigoroso desenho clínico – e com sobrevida dobrada se comparada ao padrão anterior. O aplauso em pé foi totalmente merecido.”
Pela natureza do ensaio clínico randomizado em fase 3, esses resultados são considerados definitivos. Publicados no Journal of Clinical Oncology, as conclusões indicam que o daraxonrasib deve estabelecer um novo padrão terapêutico para pacientes com câncer pancreático metastático em segunda linha.
A Revolution Medicines anunciou sua intenção de submeter os dados à Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) como parte do processo para obter aprovação regulatória.
No Brasil, é necessário que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realize seu próprio processo de aprovação. Além disso, cabe à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) elaborar uma diretriz técnica para garantir que os planos de saúde cubram o novo medicamento. Assim sendo, ainda não há uma previsão clara sobre quando ou mesmo se o acesso ao comprimido será viabilizado no país.
