A evolução da inteligência artificial enfrenta ritmo mais lento do que o projetado

A presença da inteligência artificial (IA) nas grandes corporações se tornou comum, mas a transformação esperada por seus defensores ainda está distante. Especialistas acreditam que essa mudança ocorrerá, porém em um ritmo mais lento do que muitos previam.

Apesar dos investimentos significativos e do aumento na popularidade das ferramentas de IA, uma série de desafios humanos, técnicos e organizacionais ainda impede uma adoção mais abrangente dessa tecnologia no setor, conforme reporta o The Wall Street Journal.

IA já está nas empresas — mas ainda sem grande revolução

Desde o lançamento do ChatGPT, há pouco mais de três anos, a inteligência artificial se tornou parte do cotidiano em quase todos os ambientes corporativos. Os colaboradores utilizam IA para resumir reuniões, redigir e-mails, elaborar apresentações e otimizar tarefas repetitivas.

Entretanto, a transformação prometida ainda não se reflete nos indicadores econômicos. Embora existam ganhos, estes não têm gerado mudanças evidentes na produtividade em larga escala.

Estudos indicam que executivos pretendem aumentar seus investimentos em IA nos próximos anos. Uma pesquisa da Wharton revelou que 75% dos 801 líderes empresariais entrevistados relataram ter obtido resultados positivos com o uso de ferramentas de inteligência artificial.

Os avanços são visíveis em várias áreas:

  • Varejistas implementando IA para ajuste dinâmico de preços;
  • Indústrias utilizando visão computacional para identificação de defeitos;
  • Instituições financeiras aplicando IA na análise de pesquisas e investimentos;
  • Ferramentas de programação que geram códigos a partir de comandos simples.

Ethan Mollick, professor da Wharton especializado na adoção de IA nas empresas, comentou: “A noção de que estamos apenas testando essa tecnologia é antiquada e incorreta.”

O maior problema talvez nem seja a tecnologia

Ainda que os avanços sejam notáveis, a IA enfrenta desafios em situações comuns. Pesquisadores se referem a isso como “fronteira irregular”, onde os sistemas demonstram eficiência em alguns casos e falham gravemente em outros.

A tecnologia se destaca em atividades estruturadas, como programação, revisão documental e análises financeiras. Por outro lado, funções mais subjetivas continuam apresentando dificuldades significativas.

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A integração da IA ao cotidiano empresarial esbarra em fatores humanos como interpretação social, normas informais e decisões baseadas na experiência prática. É nesse contexto que muitas organizações enfrentam obstáculos reais para incorporar a tecnologia no dia a dia.

Daron Acemoglu, economista do MIT e ganhador do Prêmio Nobel, destacou: “Independentemente de sua função — seja CEO, gerente ou operário — suas capacidades vão além do que a IA pode oferecer.”

Nessa linha, há também a resistência por parte das empresas e dos colaboradores. Muitos trabalhadores expressam preocupações sobre estarem contribuindo para treinar sistemas que podem eventualmente ameaçar seus empregos.

A transformação pode levar anos

O cenário atual da inteligência artificial é comparado a outras revoluções tecnológicas ao longo da história. A eletricidade levou décadas para impactar significativamente a produtividade econômica. Da mesma forma, a internet também levou mais de dez anos para provocar mudanças substanciais nas empresas e mercados.

A transformação verdadeira exige tempo para ocorrer na escala humana necessária para reestruturar as organizações e possibilitar mudanças significativas.

James Landay, codiretor do Instituto Stanford de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano.

Conforme Landay aponta, adaptar as empresas requer modificações profundas em processos internos, cultura organizacional e estrutura administrativa.

A expectativa é que a inteligência artificial traga inúmeras transformações nos próximos anos. Contudo, à luz do panorama atual, as mudanças parecem menos imediatas do que o mercado esperava quando o ChatGPT ganhou notoriedade.