O aumento no consumo de figurinhas do álbum da Copa do Mundo 2026 trouxe à tona um aspecto ambiental que muitas vezes passa despercebido: o descarte do liner, o material que protege a parte adesiva das figurinhas e que acaba sendo descartado após a abertura dos pacotes.
Um levantamento realizado durante a Copa de 2022 revelou que aproximadamente 6,7 milhões de pacotes foram vendidos em um primeiro momento de comercialização. Cada pacote contém sete figurinhas, o que contribui para uma quantidade significativa de resíduos gerados pelo produto.
Com base nesses números, a estimativa aponta para cerca de 47 milhões de figurinhas e aproximadamente 11,7 toneladas de papel liner durante o período analisado. Especialistas alertam que esse tipo de resíduo tende a ser encaminhado para aterros sanitários, onde se apresenta um problema sério: sua decomposição pode levar até 100 anos devido à camada de silicone que dificulta sua degradação natural, tornando inviável seu reaproveitamento na cadeia convencional de reciclagem.
Para quem tem pressa:
- O álbum da Copa gera resíduos difíceis de reciclar, como o liner, que podem acumular toneladas logo nos primeiros dias após o lançamento;
- Este material pode demorar até um século para se decompor e raramente é reciclado eficientemente no Brasil;
- A responsabilidade pela solução é compartilhada entre especialistas e empresas, mas ainda existem lacunas na legislação e na infraestrutura de coleta.
Entendendo o impacto ambiental e os desafios da reciclagem do papel liner
O liner utilizado nas figurinhas contém uma camada de silicone que torna seu reaproveitamento em processos tradicionais de reciclagem bastante complicado. Embora seja tecnicamente viável em algumas situações, o tratamento exige uma infraestrutura específica e envolve custos elevados e logística restrita.
Fabrício Stocker, professor e pesquisador da Fundação Getulio Vargas, comentou em entrevista que o problema vai além da possibilidade técnica de reciclar; ele menciona a reciclabilidade, ou seja, a viabilidade prática de transformar esse material em novos produtos dentro da cadeia existente.
A falta de uma infraestrutura adequada em todo o país resulta na não reutilização desse tipo de resíduo. Em condições normais de descarte, esse material acaba em aterros sanitários, onde permanece por longos períodos e contribui para emissões relacionadas à decomposição dos resíduos sólidos.
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A dificuldade em reciclar
Em uma ação realizada nas primeiras semanas da Copa do Mundo de 2022, foram coletados cerca de 168 mil liners, totalizando aproximadamente 42 quilos desse material reaproveitado. Apesar dos esforços desenvolvidos nessa iniciativa, esse número representa apenas uma pequena fração quando comparado ao total de resíduos gerados pela circulação das figurinhas.
No recorte inicial analisado, foram vendidos cerca de 6,7 milhões de pacotes (cada um contendo sete figurinhas), resultando em quase 47 milhões de adesivos. Isso demonstra um impacto ambiental muito maior do que a quantidade efetivamente reciclada por iniciativas pontuais. A disparidade entre esses números evidencia as dificuldades para expandir soluções efetivas para o reaproveitamento na mesma proporção em que os resíduos são produzidos.
Ainda há iniciativas isoladas no Brasil que aceitam esse tipo de material através de campanhas específicas que requerem envio direto para unidades dedicadas ao processamento. Contudo, essa participação depende majoritariamente da ação do consumidor final, visto que a logística necessária para coleta e reciclagem não está disponível em larga escala no país.
Responsabilidade e lacunas legais
A legislação brasileira sobre resíduos sólidos estabelece responsabilidades compartilhadas entre os diferentes atores da cadeia produtiva; no entanto, há interpretações ambíguas sobre quem deve arcar com o destino do liner.
Fabricantes argumentam que parte do material envolve fornecedores específicos, dificultando a atribuição direta da responsabilidade. Em contrapartida, pesquisadores sustentam que a solução passa pelo redesenho dos produtos para mitigar impactos desde sua origem.
A discussão também abrange como transformar materiais com baixa reciclabilidade em produtos concebidos para serem integrados a uma economia mais sustentável, evitando depender posteriormente de soluções dispendiosas.
