No último fim de semana, a Anthropic enviou sua equipe técnica e representantes de políticas públicas para Washington em resposta à decisão do governo de Donald Trump, que restringiu o uso internacional dos modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5. Essa medida, anunciada na sexta-feira (12), levou a empresa a suspender o acesso às suas ferramentas fora dos Estados Unidos. A equipe da Anthropic tem agendado um encontro com autoridades governamentais já nesta segunda-feira (15).
As discussões envolvem membros da administração federal e executivos da startup, que buscam alternativas para as restrições impostas às suas tecnologias. Esse impasse surgiu após questionamentos das autoridades dos EUA sobre os mecanismos de proteção desses sistemas, especialmente após pesquisas que indicaram a possibilidade de exploração de vulnerabilidades em softwares.
O propósito das negociações é encontrar uma solução que permita o restabelecimento do acesso aos modelos avançados da empresa, ao mesmo tempo que cumpra as exigências de segurança levantadas pelo governo.
Startup busca acordo após restrições sobre modelos avançados
Conforme informações do The Wall Street Journal, representantes da Anthropic e integrantes do governo dos Estados Unidos se reuniram durante horas ao longo do fim de semana para discutir as consequências dessa decisão.
Entre os presentes nas conversas estavam Howard Lutnick, secretário de Comércio; Sean Cairncross, diretor nacional de cibernética; Tom Brown, cofundador e diretor de computação da Anthropic; e Sarah Heck, responsável pela área de políticas públicas da empresa.
Pessoas próximas às negociações relataram que há interesse mútuo em resolver o impasse. No entanto, ainda não havia clareza sobre quais condições poderiam facilitar a retomada do acesso aos modelos bloqueados.
Enquanto isso, especialistas em segurança digital expressaram preocupações em relação à decisão. Um grupo de profissionais divulgou uma carta defendendo a remoção das restrições, argumentando que essa medida poderia prejudicar a posição dos Estados Unidos na corrida pela liderança em inteligência artificial.
Os signatários afirmaram: “essa ação retirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza no mercado e colocou em risco a liderança da IA nos EUA sem justificativa real para tal”, conforme manifestado por pesquisadores em cibersegurança na carta enviada à administração americana.
Esse episódio se desenrola após meses de divergências entre a Anthropic e órgãos governamentais acerca das regras para uso e supervisão de sistemas avançados de inteligência artificial. Também houve desacordos relacionados ao uso dos modelos no setor militar e discussões sobre políticas públicas para a área.
A controvérsia ganhou força depois que pesquisadores da Amazon descobriram formas de contornar certas barreiras protetivas do modelo Fable. Os testes permitiram identificar falhas em pelo menos quatro programas ao alterar como as solicitações eram feitas ao sistema.
No entanto, especialistas consultados observaram que o estudo não resultou na criação de ferramentas ofensivas voltadas para ataques cibernéticos. O material demonstrou apenas a capacidade de localizar vulnerabilidades, um recurso igualmente valioso para equipes encarregadas da defesa de redes e sistemas.
Conforme declarado pela Anthropic, as fragilidades identificadas pelos pesquisadores seriam relativamente simples e poderiam ser detectadas por outros modelos já disponíveis publicamente. A empresa também argumentou que os resultados não representavam uma quebra total das salvaguardas implementadas na tecnologia.
Diante do agravamento da situação, a companhia enviou alguns dos seus principais especialistas em segurança e avaliação de riscos para Washington. A expectativa era apresentar detalhes técnicos sobre os mecanismos protetivos adotados e minimizar a tensão entre a startup e o governo federal.
A reação do governo foi rápida. Após discussões internas e contatos entre autoridades e representantes do setor privado, a Anthropic recebeu pressão para retirar os modelos do mercado. Na mesma noite em que as restrições foram implementadas oficialmente, a empresa interrompeu o acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 como forma de atender à determinação.
Membros da comunidade de segurança digital consideraram a resposta oficial excessiva. Katie Moussouris, diretora-executiva da Luta Security, opinou que a suspensão da versão mais recente do Mythos gera repercussões negativas tanto para atividades relacionadas à proteção digital quanto para os interesses estratégicos dos Estados Unidos.
