Tratamento inovador com cannabis oferece novas perspectivas para pacientes com demência

Uma pesquisa divulgada na Conferência Internacional da Alzheimer’s Association apontou que a combinação de THC e CBD demonstrou eficácia na redução da agitação em pacientes com demência avançada. O estudo focou em uma formulação médica específica, distinta dos produtos comuns encontrados no mercado que contêm derivados da cannabis.

O ensaio clínico, denominado LiBBY, envolveu 120 indivíduos e revelou melhorias significativas nos sintomas após um período de tratamento de 12 semanas, oferecendo novas esperanças para uma população com opções limitadas de tratamento.

Estudo avaliou a combinação de THC e CBD em idosos

Intitulado Life’s end Benefits of cannaBidiol and tetrahYdrocannabinol (LiBBY), o estudo foi conduzido com pacientes diagnosticados com Alzheimer ou outras formas de demência que eram elegíveis para cuidados paliativos. A pesquisa foi realizada em múltiplos centros, utilizando um desenho randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado um dos métodos mais rigorosos para a avaliação de medicamentos.

Os participantes foram divididos em dois grupos, recebendo uma suspensão oral com THC e CBD ou um placebo. Nem os pacientes, nem os cuidadores ou médicos tinham conhecimento sobre a alocação nos grupos.

Os principais achados do estudo incluem:

  • Uma diminuição de 6,27 pontos nos índices de agitação após duas semanas no grupo que recebeu THC/CBD;
  • A manutenção dessa melhora ao longo das 12 semanas;
  • Cerca de 87,2% dos participantes do grupo tratado relataram uma melhora geral, comparado a apenas 23,6% no grupo placebo;
  • A frequência de eventos adversos foi similar entre os grupos.

Os resultados deste estudo foram extremamente impressionantes e demonstraram um nível de resposta inédito em ensaios clínicos relacionados à demência.

Jacobo Mintzer, co-investigador principal do estudo, em nota.

Tratamento visa aliviar sintomas desafiadores da demência

A agitação se apresenta como um dos sintomas mais difíceis enfrentados por pessoas com demência avançada. Esse estado pode manifestar-se através de inquietude, agressividade, comportamentos repetitivos e sofrimento emocional, impactando também familiares e cuidadores.

Os medicamentos convencionais utilizados nessas situações, incluindo opioides, benzodiazepínicos e antipsicóticos, frequentemente apresentam limitações e efeitos colaterais significativos.

A avaliação da agitação foi realizada utilizando o Inventário de Agitação de Cohen-Mansfield, que analisa 29 comportamentos associados ao problema. Os pesquisadores notaram que os benefícios surgiram rapidamente e se mantiveram durante o acompanhamento.

Pesquisadores alertam sobre produtos à base de cannabis

Ainda que os resultados sejam encorajadores, os pesquisadores enfatizam que o tratamento investigado não deve ser confundido com os produtos comerciais contendo THC e CBD disponíveis no mercado.

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“A medicação utilizada nesta pesquisa foi formulada com rigor e administrada sob supervisão médica estrita”, declarou Brigid Reynolds, coinvestigadora principal do estudo.

Os pesquisadores ressaltam que produtos comercializados em dispensários ou online podem diferir significativamente em composição, qualidade e concentração, o que inviabiliza comparações diretas com a formulação utilizada neste ensaio clínico.

A investigação LiBBY abre um horizonte promissor para uma área ainda carente de opções terapêuticas. Contudo, novos estudos serão essenciais antes que essa terapia possa ser amplamente aplicada na prática clínica. Os resultados apresentados na conferência sublinham a busca por tratamentos que proporcionem maior conforto e qualidade de vida aos pacientes em estágios avançados da demência.

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