As vacinas de RNA mensageiro (mRNA) contra a COVID-19 revolucionaram a abordagem do desenvolvimento farmacêutico. Em 5 de agosto de 2026, a FDA concedeu aprovação a uma vacina de mRNA voltada para a gripe sazonal, destinada a adultos com 50 anos ou mais, sublinhando o progresso dessa tecnologia além do contexto pandêmico.
A utilização do mRNA como uma ferramenta terapêutica também está sob investigação. Conforme Li Li, professor assistente de Ciências Biomédicas na UMass Chan Medical School, em um artigo publicado no The Conversation, essa molécula pode induzir as células a produzirem proteínas específicas. No entanto, ainda existem desafios relacionados à resposta imunológica e à permanência do RNA no corpo.
Uma espécie de instrução para as células
O RNA mensageiro fornece as diretrizes necessárias para a síntese proteica. Dentro dos medicamentos, ele é encapsulado em nanopartículas lipídicas, compostas por substâncias como fosfolipídios e colesterol. Essas nanopartículas lipídicas (LNPs) têm aproximadamente 100 nanômetros e desempenham um papel protetor durante o transporte do material até as células.
Uma vez dentro das células, o mRNA atua como uma instrução temporária. Por exemplo, nas vacinas contra a COVID-19, ele orienta a produção de uma versão não patogênica da proteína spike, preparando assim o sistema imunológico para identificar o vírus.
Os medicamentos baseados em mRNA apresentam vantagens significativas em comparação com os tratamentos convencionais, devido à sua facilidade de programação.
Li Li, professor assistente de Ciências Biomédicas da UMass Chan Medical School, no artigo.
A lógica empregada na produção desses medicamentos pode ser aplicada a diversas moléculas. Essa previsibilidade no desenvolvimento tende a minimizar riscos e custos associados.
Por que o organismo reage ao mRNA?
No entanto, existe um desafio: o sistema imunológico pode reconhecer o mRNA terapêutico como um corpo estranho. Isso ocorre porque a molécula penetra nas células através dos endossomos, que também são envolvidos na resposta contra vírus que contêm RNA.
Para mitigar esse problema, os pesquisadores optaram por modificar quimicamente o mRNA. A troca da uridina por pseudouridina ou N1-metilpseudouridina diminui a reação imune sem interferir na produção da proteína desejada. Essa descoberta resultou no Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2023.
A fabricação do mRNA também apresenta outra dificuldade: o processo pode gerar RNA de fita dupla, que tem potencial para desencadear uma resposta imunológica intensa. Embora pequenas quantidades desse material possam ser benéficas nas vacinas ao estimular a produção de anticorpos, para outros tipos de medicamentos é preferível que o RNA seja mais puro para reduzir riscos de efeitos colaterais indesejados.
CRISPR entra no radar
A duração limitada do mRNA no organismo restringe suas aplicações. Geralmente, essa molécula permanece nas células por cerca de um dia, tornando-a adequada para tratamentos que requerem a produção temporária de proteínas.
Uma estratégia em estudo combina mRNA com CRISPR-Cas9. Essa abordagem pode facilitar a geração temporária das proteínas necessárias para edição genética. Um foco dessa pesquisa é tratar a amiloidose hereditária por transtiretina, uma doença rara causada pelo acúmulo anormal de proteínas malformadas no coração e nos nervos.
- O mRNA possibilita a orientação temporária da produção proteica.
- As LNPs desempenham um papel crucial na proteção e transporte da molécula até as células-alvo.
- A breve duração do RNA favorece algumas terapias genéticas específicas.
- A presença de RNA de fita dupla deve ser cuidadosamente controlada em aplicações além das vacinas.
- Algoritmos podem auxiliar na criação de sequências de mRNA mais estáveis.
O que falta para a próxima geração
Nem todos os tratamentos são compatíveis com as características atuais do mRNA. Terapias que demandam uma proteína por períodos prolongados necessitam de moléculas mais estáveis. Além disso, há necessidade de inovações que diminuam as reações imunológicas adversas.
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Cientistas estão desenvolvendo algoritmos para otimizar sequências e trabalhando com RNA-polimerases capazes de gerar menos subprodutos indesejados. “Avanços adicionais têm potencial para viabilizar uma nova geração de terapias com mRNA seguras, duradouras e eficazes para usos além das vacinas”, conclui Li.
