Avanço em teste genético promete evitar quimioterapia para muitas mulheres com câncer de mama

Um abrangente estudo internacional, que contou com a participação de mais de 4.400 mulheres, revelou que um teste genético pode ser fundamental na identificação de pacientes com câncer de mama que podem evitar a quimioterapia. A pesquisa abrangeu casos de seis países distintos, focando em situações onde a doença já havia afetado linfonodos adjacentes.

Os achados foram apresentados nesta segunda-feira (1º) e indicam que a maioria das pacientes categorizadas como de baixo risco mostrou taxas de controle da doença comparáveis às observadas entre aquelas que receberam tratamento quimioterápico. O estudo utilizou um exame que analisa a atividade genética das células tumorais.

A proposta dos cientistas é empregar características biológicas do câncer para aprimorar as decisões sobre tratamento. Essa abordagem visa não apenas eliminar intervenções desnecessárias, mas também minimizar os efeitos colaterais relacionados à quimioterapia, sem comprometer a eficácia do tratamento.

Resumo para quem tem pressa:

  • Um teste baseado na análise genética do tumor ajudou a distinguir pacientes com maior e menor probabilidade de se beneficiar da quimioterapia;
  • A maioria das participantes foi considerada de baixo risco e obteve resultados semelhantes sem o uso do tratamento quimioterápico;
  • Esses dados têm o potencial de influenciar futuras decisões clínicas e ampliar a utilização de abordagens personalizadas no combate ao câncer de mama.

Compreenda como o estudo foi realizado

Intitulado OPTIMA, o estudo incluiu mulheres com 40 anos ou mais diagnosticadas com câncer de mama sensível aos hormônios. As participantes foram recrutadas em várias nações: Reino Unido, Noruega, Suécia, Austrália, Nova Zelândia e Tailândia. Em muitos casos, a enfermidade já havia se espalhado para linfonodos próximos ao tumor primário.

Para determinar o tratamento adequado, os pesquisadores utilizaram o teste genético Prosigna. Este exame avalia os padrões de atividade gênica presentes no tumor e fornece uma pontuação relacionada à probabilidade de recorrência da doença no futuro.

Aquelas com uma pontuação igual ou inferior a 60 foram orientadas a seguir com terapia hormonal. Por outro lado, as pacientes com pontuações superiores foram recomendadas a iniciar quimioterapia em conjunto com o tratamento hormonal.

Aproximadamente 68% das participantes se encaixaram na categoria de baixo risco. Historicamente, muitas dessas mulheres poderiam ter sido submetidas à quimioterapia apenas pelo fato da doença ter atingido os linfonodos.

Cinco anos após o início do acompanhamento, 93,6% das pacientes consideradas de baixo risco e tratadas apenas com hormonioterapia permaneciam vivas e sem sinais da doença. Para aquelas que passaram pela quimioterapia, esse número foi ligeiramente superior: 94,8%.

A diferença observada estava pouco acima de um ponto percentual, dentro da margem previamente estabelecida pelos pesquisadores antes da análise dos dados. As informações sugerem ainda que apenas uma pequena fração das pacientes classificadas como de baixo risco poderia realmente se beneficiar com a quimioterapia.

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Outro ponto relevante destacado pela equipe foi a inclusão de grupos frequentemente sub-representados em pesquisas semelhantes, como mulheres na pré-menopausa e aquelas com mais de três linfonodos afetados. Os resultados indicaram que o padrão se manteve consistente nessas populações.

Os autores observaram que entre as mulheres mais jovens, parte dos benefícios geralmente atribuídos à quimioterapia pode estar ligada à supressão da função ovariana. No estudo, esse efeito foi reproduzido por meio de medicamentos hormonais, ajudando a explicar a leve vantagem observada em relação à quimioterapia em muitos casos.

O professor Rob Stein, do Instituto do Câncer da UCL, comentou sobre os resultados afirmando que eles abordam uma questão antiga na oncologia: identificar quais pacientes realmente se beneficiam da quimioterapia. “Nossas descobertas mostram que muitas pacientes podem evitar a quimioterapia sem comprometer seus resultados.

Na visão do pesquisador, utilizar as características biológicas dos tumores representa um grande progresso na personalização do tratamento e pode atenuar tanto os impactos físicos quanto os emocionais associados à quimioterapia.

Iain MacPherson, da Universidade de Glasgow, compartilhou uma perspectiva semelhante ao ressaltar que as evidências geradas pelo estudo têm capacidade para transformar práticas clínicas ao permitir decisões terapêuticas fundamentadas nos reais benefícios para cada paciente. “Esses resultados representam um avanço significativo na oferta de cuidados mais personalizados e precisos.”

A expectativa é que mais de 5 mil pacientes atendidos anualmente pelo sistema público britânico possam evitar a quimioterapia caso esse teste seja amplamente adotado. A próxima fase envolve a avaliação dos resultados por órgãos responsáveis pela regulamentação dos exames e tratamentos no NHS.

A aplicabilidade prática deste estudo é evidenciada pela experiência pessoal de Karen Bonham, diagnosticada com câncer de mama aos 57 anos. Com um tumor grande e dois linfonodos afetados, ela já estava pronta para iniciar a quimioterapia quando entrou para o estudo.

No relato dela, a ansiedade era tanta que chegou até mesmo a cortar o cabelo antecipadamente. Porém, após receber um resultado indicando baixo risco de recorrência da doença, sua situação mudou drasticamente. “Foi um sentimento imenso alívio.”

Pós-análise genética, Bonham seguiu com radioterapia e terapia hormonal. Quase nove anos depois do diagnóstico inicial, ela afirma que o câncer deixou de ser uma preocupação constante em sua vida—um exemplo citado pelos pesquisadores para ilustrar o impacto positivo dessa nova estratégia investigativa.