A peste, frequentemente associada à Idade Média, ainda está presente em várias partes do mundo. Originada pela bactéria Yersinia pestis, a enfermidade é responsável por cerca de 3 mil novos casos anualmente, conforme dados do Instituto Robert Koch, da Alemanha. Sem um diagnóstico e tratamento adequados e imediatos, a doença pode ser letal.
A gravidade do risco depende da modalidade da infecção. A forma pneumônica, que acomete os pulmões e é transmissível entre indivíduos, pode resultar em morte em até 48 horas após o surgimento dos primeiros sintomas.
As três formas da doença
A peste ficou célebre pela pandemia que devastou a Europa entre 1347 e 1353, quando aproximadamente 25 milhões de pessoas, ou cerca de 60% da população europeia na época, faleceram devido à doença. No entanto, a bactéria não foi erradicada e continua a existir em certas áreas do planeta.
Existem três apresentações clínicas da infecção:
- Bubônica: transmitida principalmente por pulgas contaminadas, resulta em inchaço doloroso nos gânglios linfáticos.
- Septicêmica: ocorre quando a bactéria atinge a corrente sanguínea.
- Pneumônica: envolve os pulmões e tem potencial de transmissão entre pessoas através de gotículas ou aerossóis.
A identificação dos sintomas iniciais pode ser desafiadora. Um caso ilustrativo é o de Paul Gaylord, residente no Oregon, que foi mordido por seu gato infectado. Inicialmente tratado com antibióticos para uma possível doença da arranhadura do gato, ele não apresentou melhora e acabou sendo internado na UTI, onde entrou em coma. O diagnóstico correto foi realizado posteriormente. Gaylord sobreviveu e compartilhou sua experiência com um veículo de imprensa em 2014.
Onde a peste ainda circula
No presente momento, os casos de peste são mais frequentes na República Democrática do Congo, Uganda e Madagascar. O Instituto Robert Koch informa que Madagascar registra entre 250 e 500 infecções anualmente. Também foram registrados casos esporádicos no oeste dos Estados Unidos.
Leia mais:
- Caso de peste na Rússia? Entenda o caso e se há risco para o Brasil
- Rússia nega surto de peste pneumônica após morte em laboratório
- Cientista morre na Sibéria e 200 ficam sob observação por peste
A bactéria Yersinia pestis é muito anterior à pandemia medieval; evidências dela foram descobertas em esqueletos datados de mais de 5.500 anos. Com o tempo, o surgimento do gene ymt possibilitou sua transmissão através de pulgas, facilitando assim sua propagação.
No contexto europeu, o último surto registrado ocorreu em 1945 na ilha da Córsega. Especialistas apontam que a falta de roedores infectados nas residências contribuiu para a interrupção da circulação da peste na área.
Diagnóstico rápido pode salvar vidas
A eficácia dos antibióticos contra a peste é comprovada; no entanto, o início do tratamento deve ser rápido. Em regiões onde o acesso a testes e medicamentos é limitado, a espera para confirmação da infecção pode ser crítica. Holger Scholz, especialista do Instituto Robert Koch, destaca: “Os primeiros pacientes durante um surto frequentemente sucumbem antes que um diagnóstico preciso seja estabelecido e o tratamento tenha início.”
Embora a doença apresente sérios riscos, especialistas consideram altamente improvável uma nova pandemia global. A transmissão da peste não ocorre com facilidade como acontece com doenças como gripe ou Covid-19; além disso, o uso de antibióticos e melhores condições sanitárias ajudam a controlar sua disseminação. A detecção rápida dos casos continua essencial para minimizar fatalities e gerenciar surtos.
